


O Internacionalista n° 39 / SINDICAL / maio de 2026
SindServ – São Sebastião
PATRONAL INTERFERE PELO 2º ANO CONSECUTIVO NA CAMPANHA SALARIAL NO MUNICÍPIO DE SÃO SEBASTIÃO, IMPONDO SUA PROPOSTA AO SINDICATO
Conforme nota apresentada no OI 38, os servidores públicos do Município de São Sebastião iniciaram no final do mês de fevereiro sua campanha salarial. A campanha se estendeu por todo o mês de março e parte de abril. Conforme aprovado na assembleia do dia 17 de março, a paralisação do dia 10 de abril começou com uma “atrasadinha” às 6 horas da manhã na garagem do Varadouro, região central da cidade, que reúne trabalhadores dos mais diversos setores, como pintores, braçais, motoristas, calceteiros, marceneiros, mecânicos, eletricistas, etc. A concentração do ato se deu neste local a pedido de uma das lideranças dos trabalhadores da própria garagem, afirmando em assembleia que se àquela repartição para, a cidade para junto. O encaminhamento do trabalhador foi atendido, contudo os trabalhadores da garagem (incluindo o servidor que fez a proposta) não se dispuseram a sair em caminhada juntamente com os demais trabalhadores e a direção sindical para a passeata até o paço municipal. Tal indisposição enfraqueceu o movimento e reflete a submissão desse setor aos desmando de suas chefias, assédio e perseguições, como também evidenciou os possíveis alinhamentos com a patronal em torno da continuidade das tratativas para hipotético reenquadramento funcional, e produto do atraso político em que afundaram parte dos trabalhadores.
Durante a caminhada, o movimento percorreu parte da rodovia Rio-Santos e o contorno da Tamoios, fazendo uma parada em frente ao porto, saudando o trabalho deste setor e denunciando a precarização dos trabalhos, terceirização e privatização da área portuária do município, expondo que em linhas gerais padecemos de problemas semelhantes no tocante a manutenção do emprego e sobrevivência, bem como a necessidade da unificação de nossas pautas em um movimento maior que una as categorias em um dia de lutas de todos os explorados contra seus exploradores. O movimento passou em frente à Secretaria Municipal de Educação – SEDUC, onde foram feitas falas em torno das pautas da educação que ferem os trabalhadores deste setor no município, como a atribuição de aulas com editais que não condizem com o número de aulas/salas realmente disponíveis, a falta de materiais básicos nas unidades escolares, a falta de água em turnos inteiros, a perseguição aos professores contratados, o avanço da escola de tempo integral, a militarização das escolas municipais e às terceirização de setores da educação infantil e apoio escolar.
Em frente ao paço municipal o microfone foi aberto as falas, contudo os 4 minutos colocados pela burocracia sindical não eram respeitados por eles mesmos que estendiam suas falas por muito mais tempo e aceleravam as falas dos membros da Frente Combativa e simpatizantes da oposição. Isto se deve ao fato da oposição chamar a continuidade do movimento e defender as reivindicações que permitam projetar o movimento por meio da luta de classes. Após as falas, a direção encaminhou as propostas para a votação dos mobilizados, onde inicialmente foram apresentadas três propostas: 1) Assembleia no dia 13 de abril após mesa de negociação com o prefeito e nova paralisação no dia 14 caso a contraproposta não fosse aceita – proposta da direção majoritária (Revolução Socialista – Unidos pra Lutar);, 2) Assembleia no dia 13 de abril após mesa de negociação com o prefeito e a continuidade da paralisação/greve por tempo indeterminado – proposta da direção minoritária (POR); 3) Assembleia no dia 13 de abril após mesa de negociação com o prefeito, que seja uma formada uma comissão com os servidores interessados a acompanhar a negociação entre sindicato e patronal, e nova paralisação para o dia 06 de maio, caso a contraproposta não fosse aceita – proposta da Frente Combativa (PPRI, OSL e independentes). Contudo, as propostas da direção sindical se unificaram, ficando a proposta da direção majoritária e a da Frente Combativa para serem aprovadas pela categoria. Houve consenso sobre a formação da comissão de negociação, bem como de nova assembleia após reunião com o prefeito, contudo, apesar do histórico frágil de mobilização dos trabalhadores para as paralisações, a proposta da direção sindical venceu. Após a assembleia, nova passeata foi feita pela avenida principal da cidade até a Câmara Municipal, onde a data da assembleia foi reajustada para o dia 15 de abril a pedido dos docentes, devido ao choque com os HTPCs.
ASSÉDIO E DESMORALIZAÇÃO DO ORGANISMO CLASSISTA MARCARAM A REUNIÃO COM A PATRONAL.
A reunião entre a comissão de negociação e o prefeito ocorreu no dia 13 de abril, e compareceram representantes dos trabalhadores da garagem e da educação, bem como a presidente e dois membros da chapa eleita. A reunião começou com 45 minutos de atraso por parte do prefeito e teve a duração de aproximadamente meia hora. O prefeito em vários momentos agiu de forma desrespeitosa com a pauta dos trabalhadores, apontando que as reivindicações eram abusivas (a base aprovou 20% de reajuste nos salários), tentou desqualificar o trabalho sindical dizendo que não haviam elementos técnicos para o que estava sendo exigido, sempre em tom autoritário e intencionalmente provocativo deixando a negociação tensa a cada novo ponto da pauta. Conseguimos atuar apontando os problemas da educação e setores da saúde. Durante uma fala, o prefeito expôs o que parte dos servidores já sabiam: que ele é filho de sindicalista que “atua” há trinta anos, ocultando que o pai, dirigente sindical no porto de São Sebastião, é um dos principais personagens pela ausência de lutas desses trabalhadores e que estrangulou quase que por completo a democracia sindical; ao mesmo tempo, confirma a tese de que sabe os caminhos da burocracia para atuar enterrando os movimentos, agora no papel de patrão.
Durante sua explanação e contrapartida, o prefeito propôs aos presentes o reajuste do período com base na inflação e a atualização dos vales, sendo 10% para o VA e 5% para o VR. Afirmou que a reforma administrativa municipal está em vias de conclusão de estudos e se direcionou aos trabalhadores da garagem afirmando que a adequação de nível e faixa (promessa antiga de gestões anteriores) seria atendida e que estava em estudo para a aplicação, escancarando o alinhamento entre patronal com um interesse corporativo deste setor dos servidores que lhe permitisse criar uma divisão no interior da categoria, e facilitar a aprovação da proposta do prefeito na próxima assembleia. A direção sindical, apesar de apresentar as pautas aprovadas pela categoria, não apresentou contrapropostas e elementos que pudessem fortalecer as reivindicações e arrancar o que foi aprovado pela base, solicitando apenas que o prefeito registrasse e encaminhasse para o sindicato sua contraproposta.
A direção sindical procurou os membros da Frente Combativa presentes para alinhar os próximos passos à partir dali, e num primeiro momento acreditávamos se tratar da intenção de combater o que já estava dado: a reprise da campanha de 2025 onde a prefeitura interveio diretamente no sindicato usando os trabalhadores mais precarizados para encerrar a campanha salarial. Após debate interno na Frente Combativa, houve uma reunião com a direção para alinhar a atuação conjunta na assembleia pela defesa das reivindicações já votadas anteriormente, mas que foi remodelada pela direção, não aceitando nossas propostas de garantia da máxima democracia sindical, conformação da mesa com as forças presentes, e defesa intransigente da independência de classes e continuidade da campanha salarial; a negativa da R.S./Unidos Pra Lutar impediu a atuação conjunta perante a base para frear a manobra da prefeitura. Apesar dos percalços, atuamos fazendo pequenos comandos nas bases, panfletagem e divulgação nas redes sociais para que os trabalhadores comparecerem à assembleia do dia 15/04 com o intuito de barrar a intervenção da patronal e reverter o quadro que se esboçava com o recuo da direção, que parecia favorável a aceitar a proposta rebaixada e encerrar o movimento.
Conforme nosso prognóstico, em uma assembleia totalmente controlada pela burocracia sindical de esquerda, a proposta da patronal, pelo segundo ano consecutivo, foi aprovada por 66 votos a favor e 46 contra. Diferentemente de 2025, houve uma diferença menor entre os votos, contudo não o suficiente para barrar a contraproposta e caminhar para uma segunda etapa da campanha. Avaliamos que essa diferença se deu devido à influência da direção em um setor da base mais atrasada, ao curto tempo para fazer o trabalho de base, ao histórico de atraso que o funcionalismo do município possui e ao refluxo das lutas de modo mais geral que se intensificam com a ausência do trabalho de base constante da direção sindical majoritária com tendências à conciliação de classe. Os votos em defesa da pauta aprovada pela assembleia e contra a aceitação da proposta rebaixada da patronal, mostram que há a desconfiança da base com a direção sindical que oscila e, apesar de em suas defesas dizer que está ao lado dos servidores, age em benefício próprio ao evitar o atrito com a patronal e o setor dos trabalhadores que estão alinhados com a política do prefeito, travando a luta e abrindo caminho para intervenções como as que estamos acompanhando. Dizendo que a vontade da maioria se fez, sem sequer analisar a que preço essa vontade acontece e os riscos que o organismo de classe dos trabalhadores corre. Destaca-se que a direção majoritária quis se esquivar de futuras críticas da oposição, de um lado, a exemplo do ano passado, quando tomou a proposta do patrão e a defendeu como sua, e de outro lado, de maneira sorrateira e oportunista, evitou choques com as parcelas mais atrasadas da base, aparecendo na última assembleia desta campanha salarial sem encaminhar e defender nenhuma proposta, ou seja, se omitindo e contribuindo ainda mais para o avanço patronal sobre o sindicato e mantendo o atraso político de uma parcela dos trabalhadores.
DIREÇÃO MAJORITÁRIA DO SINDSERV DISTORCE CAMPANHA SALARIAL NO 1º DE MAIO EM SÃO PAULO
Após a derrota da campanha salarial sofrida pelos servidores municipais de São Sebastião, através da intervenção direta da patronal junto aos setores mais precarizados dos trabalhadores, o vice-presidente do sindicato fez um pronunciamento no 1º de Maio organizado pela CONLUTAS na Praça da República em São Paulo afirmando que “Com muita luta conseguimos arrancar 5%, mais 10% de VA e 5% de VR lá no Litoral Norte” , complementa sua fala dizendo que tais valores fazem parte do arrocho salarial imposto pelos governos e que “estaremos nas ruas contra o desmonte dos serviços públicos”. Falácia!
Conforme relatado acima, no informe sobre a campanha, nada foi conquistado com luta, uma vez que “a categoria acatou” a proposta da patronal a iniciativa da direção da qual o burocrata de esquerda faz parte. Novamente a direção majoritária do Sindserv se oportuniza das migalhas concedidas pela patronal, tratando essa vergonha como conquista da categoria e agindo em seu discurso inflamado como lideranças dispostas a radicalização da luta, para tentar tirar crédito político em atos públicos. A verdade é uma só: A direção acatou a proposta da patronal e a tomou como sua para não se chocar com um setor da base, o que está claro na fala do diretor sindical que se apropria dessa afronta aos trabalhadores e a toma para si, como vitória. Isso demonstra que a oposição classista e combativa que se organiza na Frente Combativa, tem por tarefa avançar nos eu trabalho de conscientização, formação e elevação política da categoria, para em algum momento recuperar o sindicato dos burocratas de esquerda que se negam a defender até o fim o seus assalariados perante seus patrões. A essa tarefa estratégica o PPRI dedica todos os seus esforços.