


O Internacionalista n° 40 / NACIONAL / junho de 2026
Eleições 2026 – Papel decorativo das esquerdas
As “esquerdas” que se reivindicam do socialismo, mantêm os explorados subordinados às ilusões democráticas depositadas nas eleições burguesas
A crise econômica mundial do capitalismo em decomposição é procesada por meio da democracia burguesa e desenvolvida através de políticas e medidas aplicadas por seus governos atacando as massas, sejam eles ditos de esquerda ou de direita. A decomposição econômica capitalista imprime seus reflexos no parlamentarismo burguês, que descarrega nas massas toda a sorte de medidas de ataques que caminham para a centralização burocrática e autoritária destas, uma vez que o nacional reformismo também se direitiza (a frente ampla burguesa é sua manifestação no campo da política eleitoral burguesa) e é incapaz de oferecer-lhes sequer algumas migalhas. É importante dizer que apesar do esgotamento político do parlamentarismo, para as massas sua experiência possui um longo caminho a ser percorrido para romper com aquele, uma vez que as ilusões democráticas presentes na possibilidade das instituições resolverem seus problemas ainda não foram esgotadas e, é no momento eleitoral que, essas ilusões tomam força e corpo com o “direito” ao voto.
Com o novo escândalo envolvendo o dono do Banco Master e a revelação do envolvimento entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro na negociação de um suposto aporte financeiro para a cinebiografia de Jair Bolsonaro, cerca de 134 milhões de reais, o cenário da disputa para a cadeira presidencial ganhou um novo rumo. Segundo anunciado pela Carta Capital em 1º de junho, o candidato do PT – Lula, disparou sete pontos à frente de Flávio – PL nas intenções de voto para o 1º turno e a mesma reportagem aponta que no 2º turno, o cenário permanece, com Lula à frente com 5 pontos. Nessa disputa interburguesa aparecem os candidatos das correntes de esquerda, onde juntos, somam entre 1% a 3% das intenções de voto. Os escândalos de corrupção, como se vê, não ampliam a margem de votos para as chamadas “alternativas” socialistas, e sim reforçam a polarização eleitoral burguesa, deslocando conjunturalmente votantes para Lula ou Flávio Bolsonaro.
As disputas dentro do Estado burguês materializam os interesses da classe dominante, ou seja, da burguesia. Neste sentido, o poder político não atua no vácuo, mas sim em favor dos interesses de quem detém o poder econômico, como diria Lênin, “a política é a expressão concentrada da economia” e todos os governos burgueses agem em defesa dos interesses da burguesia nacional e do imperialismo, desse modo não há como a democracia burguesa vir a servir ao proletariado para defender suas reivindicações ou abrir caminho a luta pelo seu poder próprio, independente de quem venha ser o presidente do Brasil.
O PAPEL “DECORATIVO” DAS ESQUERDAS NAS ELEIÇÕES DE 2026
Ocupando de 1% até 3% das intenções de voto dos brasileiros, os candidatos das correntes que se reivindicam do socialismo como Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU), trazem em suas campanhas eleitorais elementos que constituem o programa de seus partidos os combinando com reivindicações tipicamente democratizantes, inclusive possuindo similaridades na tática de construção de frentes populares ou de esquerda, a luta pelo fim da escala 6X1, em defesa da soberania nacional contra o imperialismo etc. Trataremos nesta nota brevemente das propostas apresentadas pelos candidatos à presidência para analisar seus reais posicionamentos no campo institucional e burguês. (Em próximas notas, iremos aprofundar nossa análise de cada partido/frente, e sua relação com a luta pela independência de classe do proletariado e demais oprimidos).
Em defesa da “classe trabalhadora” todos os candidatos propagandeiam o socialismo e a revolução (com particularidades). O PCO condena os métodos de conciliação de classes, reformas “superficiais”, propagandeia consignas anticapitalistas e anti-imperialistas. Já a UP, na figura de Samara Martins, aposta sobretudo na retórica de ser uma “candidatura de uma mulher negra” atuante no SUS e que se apoia em pautas identitárias para denunciar a opressão de classe, na defesa da estatização com retomada do controle estatal das empresas privadas, sistemas financeiros e de transporte coletivo; em reivindicações trabalhistas como redução da jornada sem redução do salário e na “reforma” do Estado burguês. Edmilson Costa – PCB, traz em sua plataforma a “construção do poder popular” e a transição para o socialismo, sendo uma das principais propostas do partido a realização de uma “auditoria da dívida pública” brasileira. Por fim, Hertz Dias – PSTU, tem por objetivo central a “ruptura com o capitalismo” e a “tomada do poder político” pela “classe trabalhadora”. Inicialmente, podemos afirmar que nenhum desses “candidatos” faz uma defesa clara da estratégia da revolução e ditadura proletária. Assim, a defesa do socialismo fica no abstrato, enquanto ganham mais projeção as reivindicações econômicas e democráticas que podem arrastar mais votos.
Ora, além das propostas apresentadas e plataformas de governo com muitas similaridades, o que mais esses partidos têm em comum? Além de se reivindicarem do marxismo, leninismo e alguns deles do trotskismo, todos trazem em seu bojo o reforço das ilusões democráticas no seio das massas, típico dos reformistas e centristas que tratam o momento eleitoral como decisivo, e se apoiam na ilusão de que é possível instaurar um governo operário e/ou popular pela via eleitoral e que este seja capaz de impor e aprovar reformas progressivas no seio do capitalismo apodrecido; inclusive, realizar uma mudança na relação de forças implantando “conselhos populares” pela via eleitoral. Abrindo assim caminho ao reforço dos explorados na democracia burguesa e fortalecendo suas ilusões nos meios que a burguesia utilizará contra o conjunto dos trabalhadores e explorados, usando essa classe parasitária a “camisa de força que a classe dominante, contando com os serviços da esquerda, colocada sobre as massas, para impedi-la de marchar rumo à sua libertação e à plena satisfação de suas necessidades imediatas” (Lora – Inviabilidade da democracia burguesa).
O PSOL (partido reformista) tem alinhado sua estratégia e interesses políticos em apoio à reeleição do candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva desde o primeiro turno, assumindo a defesa deste por meio de seus membros mais destacados, como Boulos e Guajajara, que incumbiram-se de ministérios e defendem os ataques deste governo as massas. Neste cenário, o PSOL retorna lentamente, mas firmemente, para o leito petista como seu braço eleitoral entre um setor da vanguarda que acreditava ser possível, por meio do PSOL, cumprir as tarefas que o PT abandonou. Desta vez, o PSOL cumprirá a tarefa de servir em bandeja essa vanguarda à frente ampla burguesa, arrastando novos candidatos que se filiam ao PSOL e que almejam projeção nacional através de seu aparato “em defesa do socialismo” e pela instauração de um “governo de trabalhadores”, como é o caso de Manuela d’Ávila (ex-militante do PcdoB) que concorre ao senado pelo Rio Grande do Sul e de Jones Manoel, figura central na fundação do PCBR após a ruptura com o PCB, que concorre junto ao PSOL como deputado federal pelo estado de Pernambuco.
O que essas “novidades” indicam? Uma guinada direitista por parte de vários partidos da esquerda, como o caso de figurões do PCBR, recém-formado, mas que não concorre às eleições burguesas, contudo, provavelmente, responderá ao chamado de Manoel para o apoio a Lula no 2º turno, como esse “intelectual” dito marxista já tem publicado em suas redes. Outros partidos ditos de esquerda, que atuarão novamente em defesa do “mau menor” contra o fascismo ou em defesa da “soberania nacional”, ignorando que a democracia burguesa é um método de governo da burguesia que esconde sua ditadura, e que o fascismo é a mesma face dessa ditadura que, em tempos de crise econômica mundial e de ascenso das massas através da luta de classes por meio das ações diretas, é a cartada final que a burguesia usa para manter o controle sobre as massas e contendo a abertura de possíveis processos revolucionários. Quanto à retórica que votar em Lula seria defender a soberania nacional, basta ver que Lula negocia a entrega de terras raras e a instalação de centros de dados imperialistas, além das privatizações, para se desfazer da farsa.
QUAL O PAPEL DOS PARTIDOS E CORRENTES REVOLUCIONÁRIAS?
Com o trabalho criminoso e, em alguns casos, traidor desenvolvido pelos reformistas e centristas durante o período eleitoral, os revolucionários se encontram em um momento conjuntural de isolamento extremo, nada propício para levantar suas bandeiras contra o parlamentarismo, uma vez que se mantém e até crescem as ilusões na democracia e instituições burguesas, especialmente pela ausência de uma direção revolucionária não permitem que as massas rompam com a farsa eleitoral e ajam seguindo sua estratégia própria, de forma que passam a servir de base de manobras dos partidos democratizantes e alimentando suas ilusões democráticas. Contudo, “Lênin irá defender que os marxistas não devem se negar a participar do pleito eleitoral por princípio e menos ainda quando se está em condições tão desvantajosas, mas para participar sempre como uma tática conjuntural claramente definida, subordinada ao objetivo da revolução social; ou seja, uma atuação nas eleições e no parlamento serão de denúncia do próprio sistema eleitoral e das instituições burguesas, de defesa do programa da revolução social e seus métodos de luta. Lembremos ainda que Marx aponta que o parlamento é o balcão da burguesia, não havendo possibilidades de transformá-lo a partir de seu interior, preparando e “construindo” o socialismo”. (Trecho retirado do editorial nacional do OI 36).
Nós do PPRI, nestes momentos, defendemos o voto nulo programático, uma vez que as condições impostas pela legislação burguesa – restritiva e ditatorial – impedem ao partido de apresentar seus candidatos e defender abertamente sua estratégia. Não somos principistas afirmando que nunca se deve participar das eleições, como ocorre com algumas correntes ultraesquerdistas que usam do “abstencionismo revolucionário” para justificar sua inação e o voto nulo por princípio. Essa compreensão exige do partido uma defesa ferrenha e inegociável do programa revolucionário do partido, sendo este um passo necessário no objetivo de construir uma verdadeira oposição revolucionária em luta nas organizações de massas contra qualquer que seja o governo burguês de turno, sobre a base das reivindicações que se chocam com os governos capitalistas, com organização independente e os métodos próprios da luta de classes, sob a estratégia da revolução social e do governo próprio das massas, um governo operário e camponês como expressão da ditadura do proletariado, para assim caminhar rumo ao socialismo.