
O Internacionalista n° 40 / SINDICAL / junho de 2026
Balanço da greve do funcionalismo – SP
DESFECHO DA GREVE DA EDUCAÇÃO MUNICIPAL DE SÃO PAULO
A greve convocada pela COEDUC (SINPEEM, SINESP e SEDIN) foi enterrada pela burocracia após 24 dias de paralisação das atividades escolares, impondo mais uma derrota ao magistério municipal. Na última assembleia, de 21/05, a UICC distribuiu um boletim, em anexo, alertando a categoria de que a condução burocrática das assembleias somada a política divisionista e corporativista das direções nos levaria a mais uma derrota se a categoria não passasse por cima das direções pelegas e se dispusesse a mudar o curso do movimento radicalizando os métodos de luta e propondo um plano comum de reivindicações para construir de fato a unidade, no entanto, novamente não houve abertura na assembleia para que outras propostas fossem defendidas.
As direções do Fórum das entidades do funcionalismo municipal já haviam enterrado a greve no dia 14/05, uma semana antes, com um protocolo extremamente rebaixado, que sequer deixava claro o pagamento dos dias parados mediante reposição. Lembrando que, essa saída já era esperada após ter mantido o funcionalismo nas inócuas vigílias na câmara.
Já as direções da COEDUC que foram as que mais alimentaram o divisionismo durante toda a greve, manteviram a paralisação por mais uma semana na expectativa de negociar um “protocolo melhor” e, como já havíamos alertado no boletim do dia 21/5, abandonaram a defesa das reivindicações para conseguir um protocolo para sair da greve. E foi justamente o que conseguiu, um protocolo semelhante ao dos anos anteriores, recheado de promessas vazias de estudos e grupos de trabalho por parte da prefeitura, com a fixação de alguns prazos para chamada e abertura de concurso público que não passa de obrigação legal do prefeito, obviamente com a exigência de encerramento da greve para que o governo retirasse o processo de judicialização do movimento, e publicasse uma instrução normativa com os critérios para reposição dos dias parados. Sobretudo, não foi esse protocolo de promessas que induziu a categoria a concordar com o encerramento da greve, e sim mais uma manobra do burocrata Claudio Fonseca/PCdoB, que antes de ler o protocolo na assembleia propagandeou como vitória a retirada da transformação do cargo de PEI em PEIF do protocolo, induzindo a categoria a acreditar que isso significaria a revogação desse artigo da lei 18.463/26. Mas, quando publicado o protocolo, a categoria verificou que a revogação não aconteceria.
Após alguns dias de encerramento da greve, no dia do pagamento (29/05) vários trabalhadores amargaram o desconto dos dias parados, sem nenhuma publicação até esse momento da normativa sobre a reposição dos dias de greve.
Sobretudo, caracterizamos que apesar da enorme disposição de luta dos trabalhadores demonstrado nos altos índices de adesão à greve, chegando a 80% em algumas regiões, bem como das manifestações massivas com mais de 30 mil trabalhadores nas ruas, a burocracia sindical é responsável por impor mais uma derrota ao funcionalismo municipal, pois nenhuma das reivindicações foram atendidas, assim como o governo manteve o arrocho salarial com um “reajuste” abaixo da inflação. Os trabalhadores precisam assimilar os motivos que nos levaram a derrota, que foi sem dúvida nenhuma, acima de tudo, a política divisionista das direções e de contenção das tendências de radicalização, pois nós tínhamos uma enorme possibilidade de parar São Paulo contra a política privatista em curso por Tarcísio/ e Nunes, unificando as lutas dos professores da rede estadual, do conjunto do funcionalismo municipal e dos estudantes das universidades estaduais paulistas, mas as direções optaram pela fragmentação das lutas em função dos seus interesses corporativistas e eleitoreiros. Destacamos ainda como elementos que contribuíram para a derrota dos trabalhadores: 1) a condução burocrática das assembleias, que impediu a defesa de outras propostas advindas da base ou das correntes de oposição, anulando completamente a democracia operária nas assembleias; 2) A ausência de organização centralizada dos comandos de greve por parte das direções sindicais, que simplesmente abandonaram os comandos em várias regiões; 3) A farsa da radicalização da greve por parte principalmente da direção do SINPEEM, que discursou durante essa greve contra as vigílias na câmara apenas para impedir a unidade com o fórum das entidades, mas também manteve o movimento na maior parte do tempo sob a política imobilista, com apenas duas ocupações de avenidas em 24 dias de greve.
O desfecho da greve deixa, mais uma vez, bem claro que o acúmulo de derrotas é o resultado de uma política burocrática que se nega a desenvolver uma greve radicalizada e apoiada nas iniciativas dos setores mais avançados do movimento e das bases, para passar meses negociando a portas fechadas algumas migalhas que possam apresentar como vitórias, impedindo assim que os trabalhadores possam enfrentar os ataques com a luta de classes e impor ao governo suas reivindicações. A superação dessa direção pelega e eleitoreira é uma tarefa urgente e exige construir uma direção classista e combativa na direção das lutas.
