


O Internacionalista n° 41 / julho de 2026
Editorial Internacional
O imperialismo leva o mundo ao abismo das guerras, do genocídio e da barbárie social em larga escala
A ofensiva contrarrevolucionária da burguesia deve ser respondida com os métodos e estratégia proletárias
A retomada dos ataques dos EUA contra o Irã abriu um cenário de gravíssimas consequências para o mundo. A escalada belicista acabará por submergir na instabilidade e desagregação da economia mundial. Mas, também deixa claro que o nacional-imperialismo norte-americano em decadência e desagregação empurra às nações de todo o globo para uma escalada bélica mundial. As contradições acumuladas na esfera das relações políticas e militares assemelham-se ao período da pré-Segunda Guerra Mundial.
É fato incontestável da realidade que os EUA saíram derrotados da guerra travada em 28 de fevereiro. Trump e Netanyahu fracassaram em destruir o regime teocrático, destroçar a integralidade territorial do Irã e assim pôr sob seu controle todo Oriente Médio. O fracasso fortaleceu o adversário e inimigo principal dos EUA: a China. A queda do Irã deveria servir de plataforma para cercar ainda mais o estado operário chinês que toma – uma após outra – as posições nos mercados que a decadente nação imperialista é incapaz de preservar exclusivamente por meios econômicos. A acirrada tendência intervencionista norte-americana empurra o mundo para uma III Guerra Mundial que não acaba de ser parida, mas é convulsivamente provocada pela necessidade de os EUA abrir pela força, pelo genocídio, pelo colonialismo e pela destruição em larga escala de forças produtivas, uma via a sua sobrevivência.
Esse objetivo exige, da ainda maior potência capitalista do planeta, uma política exterior em que a diplomacia é rejeitada em favor das ameaças e métodos de gangsters. A colonização da América Latina e Caribe está em pleno andamento por meio de coerção tarifária, fraudes eleitorais, intervencionismo militares e brutais cercos econômicos. Trump pretende fazer do continente seu quintal exclusivo para o saque de seus monopólios e capital financeiro estadunidenses. É nesse marco que se deve entender à retomada da guerra tarifária contra o Brasil. Seu objetivo é favorecer a candidatura do miliciano e corrupto ultradireitista Flávio Bolsonaro, e desse modo abrir caminho a sua vitória e, completar a remoção de governos que não são do agrado dos EUA por outros totalmente serviçais.
A vitória de Espriella (Colômbia) e Fujimori (Peru) criaram um campo fértil para a retomada do intervencionismo militar dos EUA e montar um cerco contra o Brasil. O “Escudo das Américas” é o braço diplomático desse intervencionismo. O fato da ultradireita se apoiar e aproveitar dos métodos democrático burgueses e constitucionais para ganhar posições e reforçar os ditames colonialistas dos EUA, deixou bem claro que não há qualquer possibilidade de usar esses métodos para frear ou conter o expansionismo intervencionista norte-americano. Os métodos e procedimentos democráticos vêm servindo ao avanço da contrarrevolução política burguesa, expressão avançada do processo de direitização dessa em nível mundial. É por meio das instituições democrático-burguesas que um narcotraficante como Marco Rúbio pode impulsionar, sob o manto da legalidade, a formação de uma “Força Tarefa” internacional orientada à perseguição e repressão mundiais, sob comando dos EUA. Esse é o conteúdo do chamado de Rubio a mais de 60 países a realizar uma cúpula em Washington para combater o “terrorismo transnacional de extrema esquerda”. Dentro dessa classificação acham-se Cuba e Nicarágua, mas também governos acusados de “comunistas”, como o de Petro e, talvez, de Lula. Sobretudo, para perseguir e reprimir opositores políticos, movimentos e partidos de esquerda orientados a combater o capitalismo ou lutar pelas reivindicações mais sentidas dos oprimidos. Segundo a concepção de Rubio (que poderá ser adotada pelos governos direitistas serviçais) trata-se de combater os “inimigos” dos Estados Unidos, melhor dizendo, quem se organize para combater e lutar contra a brutal opressão e saque nacional, bem como governos que não se curvarem completamente.
Essa ofensiva na política externa se complementa com uma tendência de centralização bonapartista nos EUA. Recentemente, Trump demitiu os comissários federais democratas que compõem a Comissão de Assistência Eleitoral (EAC), órgão bipartidário responsável por garantir a segurança e lisura procedimental do processo de votação. A Corte Suprema de Justiça tinha dado plenos poderes a Trump para demitir chefes de agências independentes do governo federal. Graças a essa serventia, o republicano se encaminha para criar uma fraude eleitoral, uma vez que está ameaçado por uma possível derrota nas eleições legislativas deste ano. Para cumprir seus objetivos intervencionistas e belicistas, o governo norte-americano recheado de tecnocratas, burocratas de alto escalão e empresários da indústria bélica, das petrolíferas e das Big-Techs (os que realmente controlam e dirigem as políticas do governo) precisa centralizar as relações políticas e avançar no autoritarismo.
Contudo, o Irã pôs à luz-do-dia uma verdade inquestionável: os EUA não contam com recursos e força como anteriormente para impor seus ditames de forma impositiva. O maior exército do mundo foi incapaz de obter uma vitória sobre a nação oprimida iraniana. A economia capitalista norte-americana ficou em frangalhos perante a resposta do Irã, apesar de 40 anos de brutal bloqueio. A resiliência da economia iraniana cujas bases permitiram desenvolver capacidades militares capazes de enfrentar o imperialismo, demonstraram as vantagens de uma base econômica baseada na nacionalização de importantes setores produtivos, que permitem ao estado iraniano planificar minimamente o desenvolvimento de capacidades técnicas e militares. O mesmo observa-se na guerra entre a OTAN e a Rússia na Ucrânia. Os remanescentes da centralização e planificação econômicas que ainda persistem na Rússia como reflexos das conquistas revolucionárias do proletariado, permitiram esse estado operário profundamente degenerado enfrentar à conjunção de mais de 40 países capitalistas combinados.
A capacidade de Rússia e Irã resistirem os ataques do imperialismo, bem como a gigantescas capacidades e saltos tecnológicos conquistados pela China, em meio à decomposição capitalista e seu retrocesso produtivo, tem por fundamento a luta de classes, a ação revolucionária das massas, que com as devidas diferenças, conquistaram para suas nações a estatização dos setores chaves da economia, sobre a base da qual os governos revolucionários (de 1917 a 1924 na Rússia), burocráticos (desde a ascensão de Stálin e a formação de uma burocracia termidoriana na Rússia) e nacionalistas burgueses (com a vitória da Revolução Islâmica que elevou a poder a burguesia nacional, a burocracia estatal e os Aiatolás no Irã) conseguiram um relativo desenvolvimento das forças produtivas. Em outras palavras: foi a ação revolucionária das massas que criou as condições para essas capacidades técnicas e produtivas poderem enfrentar a maior e mais centralizada indústria capitalista do planeta. A expropriação dessas massas do exercício do poder e do controle do estado e economia nacionais, certamente, entravam todo o potencial subjacente dessas conquistas e permitem que as riquezas sociais sejam apropriadas e parasitadas por governos e forças sociais que levam a sua destruição progressiva.
Está aí porque a defesa das nações que fizeram a revolução e hoje estão em ameaça de destruição pelo imperialismo, bem como as nações oprimidas que conquistaram uma relativa independência e autodeterminação nacional pela via revolucionária – seja essa acobertada pelo obscurantismo religioso ou afogada por uma casta contrarrevolucionária – são parte essencial da política revolucionária e, especialmente, do programa para enfrentar o imperialismo e desenvolver a luta de classes.
Somente o proletariado é a classe capaz de unir as massas oprimidas sob seu programa e estratégia próprias de poder, e erguendo uma frente única anti-imperialista (FUA) em nosso continente e em cada país contra a brutal opressão social e nacional, e responder à violenta ofensiva contrarrevolucionária com a ação unificada e coordenada das massas ao interior de cada país, mas também por cima das fronteiras nacionais, organizando medidas de ação direta e uma ofensiva política capaz de derrotar o imperialismo com a luta de classes e pela expropriação da burguesia e derrubada de seus governos. Não há e nem existe programa alternativo à revolução e ditadura proletárias para frear o intervencionismo, as guerras de dominação e a destruição de países inteiros apenas para beneficiar um punhado de oligarcas burgueses que pretendem afundar a humanidade no abismo da barbárie pelos seus lucros.