
O Internacionalista n° 41 / SINDICAL / julho de 2026
Taubaté
Greve histórica de 15 dias dos servidores municipais é enterrada em acordo entre burocracia cutista e prefeitura
Em 28/05, o Sindserv Taubaté, filiado à CUT, aprovou em assembleia extraordinária greve por tempo indeterminado, a ser iniciada na terça-feira da semana seguinte, dia 02/06. Diante da ausência inclusive da reposição inflacionária do ano passado para este, o sindicato aprovou como pauta de reivindicações: a reposição inflacionária dos dois últimos exercícios; aumento do vale-alimentação de R$ 502,50 para R$ 830; criação do auxílio transporte universal; quitação imediata de licença-prêmio acumulada; revisão da contribuição previdenciária dos aposentados e mudanças em pagamentos adicionais, horas extras e benefícios.
A greve foi histórica. Há, pelo menos, 15 anos não há qualquer tipo de paralisação ou greve realizada pelos servidores municipais de Taubaté, e esta chegou a contar, em seu ápice, com cerca de 2800 servidores paralisados na rua, em especial os servidores da saúde e da educação . Percebe-se o afloramento do instinto de luta e mobilização presente nos servidores do país, mesmo em um município onde a tradição da luta entre os servidores públicos é praticamente nula.
Este afloramento se dá num contexto de mais de uma década de piora de condições de trabalho e arrocho brutal nos salários com a consequente perda de poder de compra dos servidores. É importante não desvincular o processo longo na piora das condições de vida dos servidores públicos da população municipal no geral. Taubaté atravessa uma longa crise econômica, ocasionada pela desindustrialização de uma cidade que já foi uma das mais industrializadas do país. Nos últimos dez anos, Ford e LG fecharam suas unidades na cidade, levando diversas outras médias e pequenas empresas juntas. Hoje seu parque industrial está repleto de galpões abandonados.
A conjunção destes fatores econômicos internos e externos ao município criou a possibilidade de estourar a maior greve entre os servidores públicos das últimas duas décadas. Trata-se de uma resposta às condições objetivas que impulsionam a luta de classe pelas reivindicações. Se é verdade que se viu uma enorme disposição de luta, também é verdade que a diretoria burocrática da CUT seguiu o seu modus operandi à risca: propôs um calendário desmobilizador, conteve instinto de luta dos servidores evitando radicalizar as medidas, enfiou goela abaixo dos servidores uma proposta extremamente rebaixada e declarou “vitória” ao fim do movimento. A direção aprovou a greve para se iniciar numa terça-feira, tendo feriado nesta mesma semana na quinta-feira –já pensando em mobilizar apenas por dois dias. Mesmo assim, os servidores se mantiveram firmes por mais uma semana e meia. No que tange aos ganhos reais, não houve nenhum. O sindicato acordou com a prefeitura – e basicamente obrigou os servidores no dia 16/06 a aceitar, porque existia ainda disposição entre eles para manter a greve – reposição salarial de 4,5%, a ser paga parceladamente em dezembro de 2026 (2,5%) e março de 2028 (2,0%), promessa no aumento de vale alimentação para R$ 844 em outubro/26 e reposição dos dias paralisados.
A direção cutista, mais uma vez, conteve a luta e a canalizou para a Câmara dos Vereadores, ao argumentar que o apoio dos vereadores do PT era indispensável para alcançar a vitória. A greve, economicamente, sai derrotada, com os interesses dos servidores sendo colocados em segundo plano, enquanto o sindicato é usado como palanque eleitoral para candidatos do PT do município catapultarem suas campanhas em direção a Alesp ou ao Congresso Nacional. Mas, politicamente, a greve demonstrou que os assalariados estão dispostos a lutar pelas suas reivindicações e que são derrotados não por falta de força, e sim porque essa força é contida, abortada e finalmente desviada ao eleitoralismo pelas suas direções burocratizadas. A verdade é que havia disposição de luta ainda nas bases, mas como não havia uma direção classista subordinada às bases, capaz de desenvolver uma política revolucionária no movimento, que desse vazão pelos caminhos corretos as pautas trazidas, mais um movimento foi enterrado pelos burocratas ao serviço da burguesia e suas instituições. Este é mais um exemplo de que só é possível conquistar alguma vitória para as massas tendo como base os métodos da ação direta (greves, piquetes, etc) e que se faz cada vez mais necessária a construção de frações e oposições revolucionárias dentro dos sindicatos para tomar-lhes da burocracia venal e pelega.
