
O Internacionalista n° 41 / SINDICAL / julho de 2026
SindiCaraguatatuba
Sindcaraguatatuba faz assembleia de prestação de contas, onde revela desvio financeiro de ex-tesoureiro e inicia a campanha salarial com meses de atraso
No dia 27/06, em Caraguatatuba foram realizadas duas assembleias em uma: a assembleia ordinária de prestação de contas, marcada inicialmente para janeiro, e a assembleia extraordinária para dar início à campanha salarial do ano de 2026. Foram atividades esvaziadas, contando com menos de dez servidores, dado o pouco trabalho de base realizado pela direção e o consequente afastamento desta em relação a elas.
A primeira assembleia tratou de um assunto extremamente delicado, pois a direção descobriu em janeiro, que o tesoureiro do sindicato tinha desviado um montante financeiro de, pelo menos, 25 mil reais através de saques em caixas eletrônicos e notas frias. A direção foi obrigada a adiar a assembleia até reunir toda a informação e ter uma real dimensão do problema e dos abalos produzidos às contas. Foi necessário também trocar a representação jurídica e o escritório de contabilidade, uma vez que não estavam cumprindo sua responsabilidade de auxiliar a direção no trato devido com a situação. A respeito do tesoureiro, a direção deu toda a possibilidade para que ele pudesse se explicar, e este não o fez. Foi-lhe oferecido, portanto, um acordo extrajudicial, no qual o tesoureiro pagaria o valor total dos desvios e, não sendo cumprido, o sindicato entraria na justiça. Enquanto isso, a direção decidiu por afastar o tesoureiro de suas funções.
Nesta assembleia de junho, finalmente as categorias puderam tomar conhecimento da situação. A direção fez a autocrítica no sentido de não ter acompanhado de perto, mês a mês, os gastos realizados pelo tesoureiro em nome do sindicato. O desvio de dinheiro para uso pessoal demonstrou que um sindicato (ainda que recém-formado) e, sobretudo, sua direção devem ter uma atitude séria com os fundos coletivos dos filiados que são administrados, bem como deve avançar em impedir que as relações de amizade e confiança pessoais prevaleçam, em detrimento da organização e da disciplina com a contabilidade, algo que jamais pode acontecer, em se tratando de um sindicato, instrumento de luta coletivo dos trabalhadores de um determinado setor. Por outro lado, um aspecto positivo a ser notado está no fato de que, ao contrário do que direções burocráticas costumam fazer, jamais foi aventada a possibilidade de esconder ou maquiar a situação para as bases. Desde o início estava clara para direção o imperativo de ser completamente transparente para com os servidores, fazendo uma cronologia explicativa dos fatos; mostrar as notas fiscais que tinham, e as que estavam faltando; mencionar os saques inexplicáveis; e por fim, não se esquivar da responsabilidade dos erros cometidos.
Superada esta pauta, iniciou-se a assembleia da campanha salarial de 2026. A partir dos dados do estudo trazido pela CSP-Conlutas, foi proposto um aumento de 15% acima da inflação; aumento para mil reais o vale alimentação e para 50 reais o vale refeição, além do pagamento de retroativo do “descongela”. Esses números foram propostos com base nos gastos com folha salarial que a prefeitura atualmente arca (37,14% do orçamento total da prefeitura) e com base na Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita esse gasto em até 54% do orçamento total. Ao aceitar os cálculos realizados pela Conlutas, que por sua vez, tiveram como base os números da prefeitura, a direção subordina objetivamente a luta mais aos ditames e números do patrão do que às necessidades da base e ao real custo de vida dos assalariados. Uma comissão de negociação foi tirada na assembleia, contando com membros da direção e da base, e contando também com a presença do PPRI.
O maior problema de começar com atraso a campanha salarial radica em que o isolamento que ela terá de enfrentar neste segundo semestre, onde a maioria esmagadora das campanhas salariais de outros municípios já foram encerradas/enterradas, será um fato negativo que pode favorecer o patronato. A letargia em que o sindicato se encontrou ao longo do primeiro semestre cobrará um preço alto, ao dificultar bastante a organização desta campanha e a superação deste conjuntural afastamento entre diretoria/bases. A única maneira de garantir que esta campanha não seja natimorta, é sair da paralisia do trabalho administrativo e das campanhas virtuais e partir de um trabalho de base massivo a ser construído junto das bases, com passagens frequentes nas repartições públicas, divulgando o material do sindicato, realizando materiais agitativos sobre os problemas mais sentidos das bases, e conclamando as pessoas a participarem ativamente das atividades do sindicato. Trabalho árduo, dado o histórico de pouca passagem nas bases. Nós do PPRI, estamos dispostos a realizar esse trabalho para fortalecer a relação entre bases e direção, fortalecendo a democracia operária e controle direto das bases sobre sua direção, ajudando assim a forjar um sindicato classista.
