
O Internacionalista n° 41 / SINDICAL / julho de 2026
Filiação do Sindipetro-RJ à CSP-Conlutas
O divisionismo aparelhista é um câncer para o operariado
A diretoria do Sindipetro-RJ realizou entre 2 de junho e 3 de julho assembleias no estado do Rio de Janeiro para as bases avaliarem a filiação do sindicato à CSP-Conlutas, como deliberado no congresso da entidade no ano passado. A diretoria já estabeleceu o que chama de “relação privilegiada” com a central visando “construir uma direção classista, combativa e independente dos patrões”. Agora, 70 % dos mais de mil filiados, em 116 assembleias, aprovaram a filiação.
A decisão aprofundará o divisionismo no interior da categoria de um setor estratégico do proletariado para a luta de classes. Ainda que continue participando da Federação Nacional dos Petroleiros-FNP (que reúne sindicatos petroleiros do litoral e interior paulista, bem como os do Norte e Nordeste), a integração do Sindipetro-RJ à Conlutas significaria o abandono da luta pela recuperação de centrais sindicais como a CTB e da CUT (que controla a Federação Única dos Petroleiros, FUP) que tem sob seu controle sindicatos decisivos para garantir uma maior força social na luta contra o patronato. Lembremos ainda que a FNP foi uma ruptura no interior da FUP. Assim, o Sindipetro-RJ reproduz o ciclo de rupturas aparelhistas que tem enfraquecido o proletariado contra os patrões.
A CSP-Conlutas sobrevive como central ultra-minoritária e está enfraquecida após sua ruptura de 20 anos atrás com a CUT. A experiência histórica demonstra que nunca conseguiu atrair setores majoritários da classe operária, deixando claro que a ruptura aparelhista com a CUT não expressou uma movimentação de massas em direção à independência de classe, e sim uma medida sectária de um setor da vanguarda para superar os obstáculos à luta contra a estatização dos sindicatos.
O Sindipetro-RJ reproduz esse brutal erro ao separar um setor da vanguarda operária da categoria petroleira em seu conjunto. Graças a isso, a política de conciliação de classe será favorecida e as federações governistas (FNP e FUP) procurarão negociar acordos coletivos mais favoráveis com as empresas para isolar e enfraquecer o Sindipetro-RJ. O que poderia levar a sua base a questionar se foi acertada a decisão de filiação à Conlutas. Lembremos que a ANEL, sindicato estudantil da Conlutas, acabou se dissolvendo e voltando à UNE, enquanto o ANDES, sindicato de professores e até então o maior da Conlutas, resolveu também pela ruptura com a Conlutas e voltou à CUT.
O fato é que, após 20 anos de existência marginal e ultraminoritária, a Conlutas nunca se constituiu em um “polo de unificação classista” de importantes setores operários e demais assalariados, e nem tampouco conseguiu “superar” os métodos burocráticos das centrais com as que romperam. Isso verifica-se nos inúmeros acordos de PDV (“demissão voluntária”) e Lay-Off (“suspensão temporária”), que acabaram aceitando e impondo a suas bases como também fazem as centrais governistas. Nota-se ainda a proliferação de métodos de funcionamento da Conlutas (consenso no lugar de votações, acordos aparelhistas no lugar de programas, eleição da direção por acordos entre correntes no lugar de uma direção eleita na base da luta programática etc.) contrários aos supostos princípios que levaram à criação da central “vermelha”, bem como a crescente imposição dos interesses aparelhistas do PSTU, o que levou à formação de uma burocracia de “esquerda” que com sua legalização acabaria usando a central para seus interesses eleitoreiros e aparelhistas. O 6° congresso da CSP-Conlutas demonstra o engessamento da entidade para os mesmos moldes burocráticos dos quais os centristas afirmavam rechaçar.
A criação de inúmeras centrais sindicais (Força Sindical em 1991, Nova Central Sindical de Trabalhadores em 2005, União Geral dos Trabalhadores em 2007, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em 2007, Central dos Sindicatos Brasileiros em 2012, entre outras) foi impulsionada pelo imposto sindical obrigatório que favoreceu a criação de novos aparatos que parasitam desses recursos e os aproveitam para fazer campanhas por seus partidos. Foram até agora R$3,6 bilhões em arrecadação anual do imposto sindical – até sua extinção em 2017. A CSP-Conlutas recusava oficialmente essa via, mas se beneficiou indiretamente através da arrecadação dos valores repassados pelos sindicatos, já que mais da metade dos sindicatos realizava o recolhimento do imposto e não o devolvia aos trabalhadores. Como suas “irmãs” maiores, a central “vermelha” acabou adaptando o financiamento compulsório para forjar seu aparelho sindical e intervir nas eleições burguesas.
Os atalhos divisionistas asfaltam o caminho para o fortalecimento da burocracia traidora e preparam as condições para profundas desilusões da vanguarda que é arrastada por trás das aventuras dos centristas. Por isso, a vanguarda com consciência de classe não deve se abster da luta pela organização de frações revolucionárias em nenhuma central – incluso na própria Conlutas.
A história ensina que não se pode impor saltos organizativos e na consciência do proletariado com manobras oportunistas. Isso acontece com as correntes que abandonam a tática leninista-trotskista de combater pela unidade dos trabalhadores sob um programa de independência de classe no interior dos sindicatos majoritários do proletariado. Interessa-lhes muito mais forjar seu próprio aparelho sindical a serviço dos interesses de seus partidos, embora seja ao custo de enfraquecer o proletariado perante a burguesia que age centralizada e unitariamente contra eles. A luta pela conquista da direção da classe operária, ainda nas piores condições, é decisiva para alcançar que a classe operária se unifique ao redor de um programa classista e revolucionário e avance à sua Independência de classe.
