O Internacionalista n° 41 / SINDICAL / julho de 2026


O 35º congresso do SINPEEM ocorrerá no período de 06 a 09 de outubro/2026, com o tema “Da exaustão ao fortalecimento: cuidar de quem educa como ato de resistência”. A publicação das atas para eleição de delegados foi divulgada no site da entidade nas vésperas do recesso escolar, com o prazo de inscrição de delegados de 03 a 27 de julho, ou seja, grande parte do período de inscrição se encontra dentro do recesso escolar, restando efetivamente apenas uma semana para eleição de delegados no retorno do recesso escolar em 20/07.
Esse período de eleição – em grande parte em meio ao recesso escolar – revela a aposta da burocracia sindical em um congresso cada vez mais despolitizado, com uma eleição de delegados sem debate político nas escolas, o que acaba incentivando a tiragem de delegados por meio de sorteios ou rodízio entre os filiados, já que participar do congresso do SINPEEM não implica em assumir um compromisso com a organização da luta da categoria, mas comparece de forma cada vez mais explícita como uma oportunidade individual dos filiados disputarem uma semana de descanso, entretenimento e formação acadêmica.
Outro elemento que precisa ser denunciado pela vanguarda com consciência de classe é justamente o conteúdo da suposta formação acadêmica ofertada neste congresso, que não difere das formações disponibilizadas pela própria SME, combinando 3 aspectos principais: 1) Elementos dos currículos da cidade, como a educação para as relações étnico-raciais, alimentando a ilusão no combate ao racismo, a xenofobia, a homofobia/transfobia etc., por meio das ações pedagógicas. Esse elemento converge com os interesses de grande parte das correntes de oposição (PT, PSOL, PSTU e satélites) que estão vinculadas aos movimentos que reivindicam as ações afirmativas para as denominadas minorias, pautas que se potencializam eleitoralmente. São alguns exemplos: “Educação antirracista e reparação histórica”; “Feminismos e equidade na escola”; “Povos originários: a sabedoria ancestral dos guardiões da natureza”; 2) Palestras de autoajuda buscando incutir na categoria as saídas individuais, de autogerenciamento do caos. Vale citar alguns exemplos: “Gestão humanizada e cultura do cuidado”; “Filosofia do pessimismo e esperança pedagógica”; “Escola do cuidado e cultura restaurativa”; “Literatura como cura simbólica: contar histórias para sobreviver”; 3) Interesses eleitoreiros também comparecem nos temas das palestras fomentando o debate em torno da possibilidade de uma educação a serviço da transformação da sociedade, que incide em um projeto de gestão supostamente democrático e humanitário, capaz de romper com as amarras das opressões inerentes ao sistema capitalista. O objetivo central desse debate é o de apresentar a candidatura à reeleição de Lula como alternativa progressista. Dentre os exemplos comparece: “A escola pública como projeto de nação”; “Educação para a cidadania global: como trabalhar política internacional, direitos humanos e democracia na escola pública”.
Portanto, é um congresso que está estruturado desde a eleição de delegados e os temas determinados pela burocracia sindical para ampliar a despolitização da categoria, processo intencional que objetiva manter a categoria no imobilismo, confiando nas saídas individuais sustentadas pelo eleitoralismo e a judicialização das lutas. O que requer ação e intervenção organizada da vanguarda que reivindica do sindicato como instrumento coletivo da luta de classes e deve exigir que o congresso preserve seu caráter político sindical, como uma das instâncias máximas de deliberação da categoria, conforme consta no próprio estatuto da entidade. Para avançar por esse caminho, se deve derrotar e expulsar a direção traidora e submissa ao eleitoralismo burguês, construindo para isso uma oposição revolucionária que lute por conquistar a direção do sindicato e pôr o sindicato ao serviço da luta de classes.