
O Internacionalista n° 44 / SINDICAL / outubro de 2026
SindServ – São Sebastião – Balanço das eleições sindicais
Eleições sindicais em São Sebastião são marcadas pelo aparelhismo, manobras e falsificações da burocracia
PT, Unidos Pra Lutar, RS/PSol e POR dão as mãos para manter o controle do aparato de forma burocrática e oportunista, golpeando a democracia sindical
A disputa eleitoral no Sindicato dos Servidores Municipais de São Sebastião (Litoral Norte de SP) teve seus pleitos nos dias 24, 25, 29 e 30/09. Duas chapas se lançaram: a chapa 01, pela manutenção da direção da Revolução Socialista/PSol, PT, POR e independentes, e a chapa 02, resultante da oposição política há anos da Frente Combativa (PPRI, OSL e independentes).
Desde a conformação das chapas, ficou evidente o antagonismo político, de meios e métodos. A chapa 01 (denominada “Servidores em Ação, Independente de Governo e Patrão”), reorganizou a atual direção e completou os cargos de forma individualizada, preenchendo a documentação ao menos três meses antes da publicação do edital de abertura das eleições; enquanto a chapa 02 (que leva o mesmo nome da frente única de oposição à burocracia e atuação sindical) organizava plenárias para discutir e votar quais cargos da chapa seriam ocupados por quais pessoas, assim como elaborar o programa, e só soube da eleição acompanhando as publicações no site da entidade.
Formação da comissão eleitoral
Em 2019, nossa militância apresentou propostas de reivindicações e de reformas estatutárias em assembleia, que a categoria aprovou, mas a direção jamais aplicou e nem instrumentos as alterações, e sempre alegam terem perdido a ata e isso impossibilitaria o registro em cartório e a efetivação das alterações regimentais. Então, as eleições tiveram ainda como fundamento o regimento eleitoral utilizado que foi instituído em 2013, impondo 03 anos de efetivo exercício e 01 ano de filiação para o trabalhador poder compor uma chapa, e 06 meses de filiação para ser eleitor.
A comissão eleitoral foi eleita e formada em uma assembleia específica para isso, onde não houve direito de fala para os servidores se apresentarem à plenária e que a direção manejou autoritariamente para evitar um debate democrático, cabendo apenas se lançarem silenciosamente como candidatos à comissão.
A mesa conduziu a votação da seguinte forma: os candidatos que defendem a chapa 01 estavam à esquerda da mesa, enquanto os demais candidatos, que defendem a chapa 02 ou independentes, à direita. O presidente interino do pleito, que é também o candidato à presidente pela chapa 01, encaminhou que quem iria votar na chapa 01 formasse fila à esquerda e depositasse sua pulseira no seu candidato, e os demais à direita. Desta forma, despolitizada e pessoalizada, elegeram-se dois membros apoiadores da chapa 01 e um membro apoiador da chapa 02. A despolitização e a imposição de um método formalista e sem debate para a eleição dos membros da Comissão, demonstrou quanto a direção se aproveita do controle do aparelho sindical para impor seus ditames.
Escrutínios
Os três escrutínios ocorreram devido a uma cláusula no regimento eleitoral que previa que a eleição só seria válida se mais 50%, 30% e 15% dos sindicalizados comparecessem às urnas. Somente o terceiro escrutínio alcançou o quórum exigido para validar a eleição e dar a vitória à chapa 01, com aproximadamente 66% dos votos.
Destaca-se ainda que o processo foi marcado pelos golpes e manobras da burocracia de esquerda, portanto, utilizando-se fartamente do aparato para desequilibrar o pleito em favor da chapa 01. Alguns deles foram:
- O uso do logo do sindicato nos materiais eleitorais, misturando a chapa 01 com a direção sindical, ferindo a isonomia das eleições;
- A utilização da comissão eleitoral para modificar, durante o pleito, as regras da votação em favor da chapa 01;
- A utilização da comissão eleitoral para impor maioria na mesa coletora de votos, restringindo a quantidade de suplentes da chapa 02 para poder colocar mesários e fiscais a mais da chapa 01;
- A utilização da maioria de membros das mesas coletoras para definir o itinerário favorável à chapa 01, deixando de passar em repartições públicas onde sabiam que os trabalhadores estavam insatisfeitos com a atual direção;
- A utilização do aparato pelas correntes que compõem a atual (e futura) direção para, em março (ou antes), preencher a documentação necessária para inscrição da chapa 01, enquanto os documentos foram disponibilizados apenas no final de julho aos demais servidores, com prazo de 15 dias para resolver a papelada e se inscrever;
- O uso de funcionários, especialmente os advogados, que ligavam para servidores aposentados instruindo-os a voltarem na chapa 01 como obrigação por terem sido representados juridicamente em algum momento;
- A abertura de processos judiciais no mês das eleições, transformando parte da pauta da categoria e o processo jurídico em moeda de troca para ganhar apoios e votos que depois utilizou como “conquista” na propaganda eleitoral da chapa 01;
- A promoção absurda do distracionismo, divulgando nos corredores que a atual direção pretende construir um parque aquático como promessa para ganhar mais votos ainda;
- O uso de equipamentos do sindicato pela chapa 01;
O não cumprimento integral do regimento eleitoral imposto pela comissão eleitoral nas mãos da burocracia de esquerda, como exemplo a divulgação em jornal específico as chapas concorrentes; - O atraso de mais de duas horas no segundo escrutínio, visando propositalmente a não alcançar o quórum, culpabilizando depois a chapa 02 por não ter apresentado mesários, fiscais e suplentes suficientes, sendo que no dia anterior haviam restringindo-os de forma autoritária;
- A confusão proposital que impunham aos servidores fazendo alguns acreditarem que a chapa 01 era a oposição à atual direção.
Conclusões
A burocracia de esquerda trabalhou árdua e sorrateiramente para se manter no aparato a todo custo, transformando as eleições em uma disputa de aparelho e utilizando reivindicações e promessas como moeda de troca e meio de corrupção pessoal de eleitores para ganhar votos, enquanto a Frente Combativa trabalhou no sentido oposto, na tentativa de politizar o pleito e se restringindo a utilização de métodos honestos de debate e convocatória de eleitores. Neste sentido, houve um considerável ganho organizativo e político, com a aproximação de servidores insatisfeitos com um sindicato que há anos está preso no economicismo, focando apenas nas campanhas salariais.
O uso do aparelho sindical foi decisivo para manter a atual direção burocrática à frente do sindicato, principalmente em se tratando dos aposentados, claramente coagidos a votarem na chapa 01. Nenhuma das correntes ou independentes que compõem a direção podem escrever ou verbalizar críticas coerentes à sua chapa, pois se utilizam dos mesmos meios e métodos para se grudarem no aparato. As eleições sindicais com a promoção da despolitização, propagação de falsificações e uso do aparato representa um golpe contra a democracia sindical/operária, demonstram a profunda corrupção política-sindical da RS, o oportunismo dos seus aliados do POR e PT e comprovam o acerto da Frente Combativa em se lançar como oposição eleitoral para tentar varrer a burocracia de esquerda que vai se encastelando na direção, para colocar o sindicato no rumo da luta de classes com os métodos próprios dos explorados.
A tarefa do próximo período será consolidar os avanços da Frente Combativa, que se organiza em torno de um programa; e combater as posições da burocracia sindical, que se nega a organizar verdadeiramente o conjunto dos trabalhadores para avançarem contra o governo municipal – que significa o patrão, ao mesmo tempo que o representante das oligarquias da região – com os métodos da ação direta.
