
O Internacionalista n° 44 / SINDICAL / outubro de 2026
BALANÇO DO 35º CONGRESSO DO SINPEEM
Burocracia sindical junto a imensa maioria das correntes de “oposição” fizeram do 35º congresso do SINPEEM um palanque eleitoral em favor da frente ampla burguesa Lula/Alckmin
O 35º congresso do SINPEEM, realizado de 06 a 09 de outubro/2026, confirmou o prognóstico da Unidade Independente Classista e Combativa (UICC), de que seria um congresso centrado no debate eleitoral e sustentado pelo distracionismo (shows, sala de massagens e feira) conforme anunciado no manifesto distribuído no primeiro dia do congresso, que segue em anexo.
O primeiro palanque armado se deu na mesa de abertura, que contou com falas de representantes do movimento estudantil (UBES), sindical (CTB, Intersindical, SINTEPS, SINPRO) e alguns acadêmicos contratados para palestrar no congresso. Todas as falas, sem nenhuma exceção, se dedicaram a expressar o sentimento de luto com a derrota de Lula no 1º turno bem como a necessidade de impulsionar a “luta” para reverter o quadro no 2º turno e reeleger Lula, como única saída para manter a democracia (burguesa), defender a soberania frente ao intervencionismo imperialista que objetiva usurpar nossos recursos naturais, a exemplo das terras raras.
O debate do regimento foi controlado com mãos de ferro pela burocracia sindical para manter a estrutura de palanque eleitoral. No ponto sobre a estrutura do congresso defendemos a substituição das palestras por grupos de debates seguidos de sessões plenárias para que a categoria pudesse discutir e deliberar sobre as reivindicações e métodos de luta. A burocracia respondeu com um discurso terrorista de que se não elegêssemos Lula nem a estrutura sindical teríamos mais e que, portanto, nossa principal tarefa neste congresso era o de conquistar votos para Lula/Alckmin, além de utilizar em sua fala uma série de falácias como a de que também queríamos eliminar o almoço do congresso. Nossa defesa das teses em substituição ao texto referência da direção que nos dá apenas a possibilidade de intervir com emendas extremamente limitadas e submetidas a essência do texto da direção, foi impedida de ser defendida no plenário, segundo a direção porque estava prejudicada por duas defesas anteriores, uma que defendia a inclusão do ponto sindical no texto referência, defendida pelo PSOL, e que segundo a direção já estava contemplada e a outra que solicitava a ampliação do prazo para entrega de novas emendas ao texto referência, defendida pelo MPR e aceita pela direção. Como se pode observar a escolha pela direção da ordem das defesas das correntes não é aleatória, deixou por último a nossa defesa, única que tinha um conteúdo de alteração radical da estrutura dos debates, permitindo que todas as forças políticas pudessem de forma democrática defender suas teses na íntegra e submeter a deliberação da base em aprovar a que melhor representasse os interesses coletivos da classe. Outro ponto importante defendido pela UICC neste debate do regimento foi sobre a dinâmica das defesas, que consistia na necessidade de se expressar primeiro quem é contrário a cada uma das propostas, devendo expor o conteúdo da sua objeção para que os proponentes pudessem ter elementos para construir sua defesa a partir dos questionamentos do opositor. Este seria um debate democrático, sustentado pelas ideias e concepções políticas, no entanto, a burocracia simplesmente opta por se colocar por último para deturpar as propostas e realizar todo tipo de manobra para garantir a manutenção do texto referência, que é a tese guia da direção sindical. Tivemos muitos votos nesta proposta, o que por certo necessitaria da contagem de votos, mas obviamente a burocracia determinou que a maioria votou pela manutenção da ordem dos trabalhos conforme posto no regimento. Por último, vale mencionar que mais uma vez a exigência de prestação de contas foi aprovada pela maioria dos delegados/as, porém a burocracia novamente passou por cima da deliberação do congresso e não apresentou nenhuma prestação de contas, nem dos gastos do congresso e tampouco das contas gerais do sindicato.
As duas plenárias foram o palanque central do debate eleitoral, já que apesar das palestras também cumprirem esse papel, a diferença é que as plenárias são as únicas que reúnem todos os delegados/as. Na primeira plenária, como de praxe, por meio de questão de ordem foi proposto e aprovado dar início a plenária com uma apresentação geral de todos os proponentes de emendas ao texto referência, ao todo 15 agrupamentos ligados aos partidos (LOI, PCdoB, PCB, PSOL, PSTU, POR, PCBR, PPRI e PT) e outras organizações políticas (FOB, MRT, Vozes da Base/ART e OSL). Essa exposição das emendas não tem caráter deliberativo, por isso é facilmente aceita pela burocracia todos os anos, utilizando-a com uma das suas estratégias de enrolação e cerceamento dos dois únicos momentos deliberativos do congresso. A imensa maioria dos agrupamentos proponentes de emendas centrou sua fala no debate eleitoral, colocando como tarefa central do congresso a organização do que chamaram de “vira voto” para Lula, em meio as defesas compareceram falas mais contundentes de defesa do governo de frente ampla (PT, PCdoB e PSOL) que se utilizaram do terror como tática de convencimento, tais como a ameaça de fechamento dos sindicatos bem como da defesa da vida, momento em que foi ouvido alguns jargões de defesa explícita de manutenção do regime capitalista como “Não é mais socialismo ou barbárie e sim civilização ou barbárie” ou “Não existe revolução ou nada e sim civilização ou barbárie”. Outras correntes buscaram se diferenciar combinando a “luta nas urnas com a luta nas ruas” (PSTU, PCB, PCBR e MRT), dentre estes prevaleceu a defesa de um suposto voto crítico em Lula, ou seja, votar em Lula para derrotar a extrema direita, mas continuar lutando contra os ataques da frente ampla burguesa. Por fim, apenas a UICC e mais um partido buscaram tirar o debate do campo eleitoral, campo da burguesia, para a necessidade de organização da luta de classes e que, portanto, não podemos ter nenhuma ilusão na democracia burguesa, mas confiar apenas na força do proletariado organizado com independência de classe. Na segunda plenária foram debatidos alguns pontos do texto referência, sustentada pela mesma dinâmica antidemocrática da direção, em que o proponente defendia primeiro e a burocracia tinha a última palavra deturpando todas as propostas e se utilizando na maioria das vezes da ameaça do voto nulo, como se todas as correntes de oposição defendessem o voto nulo. Foi a estratégia encontrada pela burocracia neste congresso para que o plenário sequer ouvisse as propostas da oposição. O principal debate nesta segunda plenária foi o da defesa da unidade da educação com os demais setores do funcionalismo municipal e estadual, demonstrando que a categoria compreende a necessidade da luta unificada nas ruas para enfrentar a ofensiva dos governos. O voto da maioria dos delegados foi claramente manifestado em favor da unidade, no entanto, a burocracia fez de tudo para manobrar, a princípio dizendo que contaria os votos e por fim alegando que daria a vitória a oposição apenas para os debates fluírem, quando na verdade sabemos que só deixou passar porque será mais uma proposta que não será acatada pelos burocratas que são acostumados a passar por cima das deliberações da categoria.
É necessário destacar que uma vez configurada uma possível vitória de Flávio Bolsonaro, os sindicatos e as direções estavam obrigadas a discutir e aprovar um plano para enfrentar esse governo e assim preparar a categoria para o combate contra seus ataques. Mas, a direção decidiu aprovar um plano geral sem qualquer orientação e organização da categoria para esse cenário. Ficou claro que a retórica de impor o terror de que se ganhar Bolsonaro, os sindicatos “serão fechados”, os direitos completamente destruídos e até “estará em jogo a própria vida dos assalariados”, não passou de recurso retórico para a campanha eleitoral. Ou seja, assinala as futuras traições dessas direções que não organizarão a luta coletiva para enfrentar os novos ataques que virão, sejam do governo Lula, sejam do Bolsonaro.
Sobretudo, a categoria sai de mais um congresso sem aprovar um plano de lutas de enfrentamento real e imediato aos ataques do governo, apontando para uma possível luta no próximo ano, em torno apenas da campanha salarial, submetida ao calendário imposto pelo governo que é o da data base em maio. E acima de tudo depositando toda a confiança na democracia burguesa, por meio da reeleição de Lula/Alckmin, iludindo a categoria de que essa é a única forma para não retroceder nos direitos dos trabalhadores e ter melhores condições para organizar a luta por novas conquistas econômicas e trabalhistas, ilusão já comprovada na prática que se trata de uma falácia, uma vez que o governo de frente ampla burguesa manteve os ataques sobre os trabalhadores sustentado pelo arcabouço fiscal e não revogou nenhuma das contrarreformas impostas pela direita.
